domingo, 1 de setembro de 2013

O Ocultismo e Artaud.




Antonin Artoud escreve a obra O teatro e seu duplo imerso no ambiente romântico do final do século dezenove. Época do surgimento da ciência moderna, que teve seu desenvolvimento diretamente ligado a praticas alquímicas e ocultas. O ocultismo pose ser descrito como uma ciência dos princípios, um estudo aplicado de sistemas de símbolos e signos que derivam de um arquétipo primordial, ou melhor, falando de um movimento, de um ritmo produtor de símbolos.
Em sua obra Artaud fala muito sobre, sombras, projeções, emanações esses conceitos (como outros em sua obra) nem sempre ficam claros a uma primeira leitura, eu por meios destas reflexões vou tentar desenvolver alguns dos conceitos alquímicos utilizados como bases para as afirmação da obra de Artaud.
Segundo a tradição hermética de origem egípcia referencia a todas praticas magicas europeias, no inicia havia apenas uma consciência sozinha no universo, consciência essa que é representada por um olho, a luz primordial da qual todas as outras são reflexos. Esta consciência tendo como faculdade única apenas perceber, percebeu a única coisa que era possível ser percebida naquele momento, ou seja, percebeu a si mesma. No momento que se auto observou esta consciência  se dividiu em duas(paradoxo primordial dos polos contrários que se complementam) uma que  observa e outra que  é observada, é como se a consciência houvesse criado a sua volta um espelho que reflete a si própria olhando para si mesma, que por sua vez cria um reflexo do própria reflexo e assim indefinidamente, segundo a tradição Hermética nesses infinitos reflexos da consciência primordial estaria contido tudo o que existe.
Para Artaud assim como para os ocultistas tudo no mundo, no universo, em cena, se trata de signos e símbolos.  E a linguagem cênica deve ser não a das palavras, mas a dos próprios símbolos que se configuram das mais diversas formas possíveis no corpo na imagem no som nos cheiros... A tabua de esmeralda antigo manuscrito egípcio atribuído a Toth (deus do “verbo” embora para alguns tenha sido um grande sábio e mago...) vêm nos trazer o principio oculto que diz: O que esta em cima é igual o que esta em baixo tanto macrocosmos quanto no microcosmo, tendo em vista que esta mesma tradição nos conta que o ser humano é um universo em miniatura, o reflexo da própria íris do olho primordial. Podemos identificar os dois polos da mente humana, objetivo racional e sensível subjetivo, respectivamente com a consciência primordial e o espelho que a reflete.
Este espelho primordial que na psicologia de Jung podemos vincular ao subconsciente, este sempre sujeito a percepção da consciência. E na medida em que o consciente percebe o subconsciente, cria uma ideia a cerca dele e acaba por transforma-lo. Nossas mentes estão o tempo todo percebendo não apenas a si mesmas, mas a outras mentes e os reflexos diversos que formam a realidade ao nosso redor, por isto estamos o tempo nos transformando e esta é a dinâmica da vida, dinâmica que Artaud enxergava, e tratava de condenar veemente o apego às formas estagnadas, comportamento que acaba por dar fim ao movimento intrínseco primordial.
Podemos identificar os dois elementos constituintes do paradoxo primordial com duas funções presentes na mente humana: a de projeção e a de recepção dos reflexos presentes na realidade, neste ponto concordo inteiramente com o ponto de vista de Artaud na verdade mais que isso ele me faz refletir imensamente sobre as possibilidades do teatro. Afinal que outra coisa é capaz de produzir reflexos tão fortes e intensos capazes de sacudir o nosso mundo interno? O teatro é um festival épico de projeções que podem alcanças os recantos mais íntimos, escondidos e principalmente (também preferencialmente para Artaud) os não vividos e talvez não vivíveis. O teatro pode dar vida a dimensões que estão além do nosso alcance, além dos limites que as leis universais da natureza nos permitem irem. Pode nos levar a dimensões de fantasia, a dimensões de sonho a dimensões de delírio.

Artaud nos diz: O espírito acredita no que vê e faz aquilo em que acredita: esse é o segredo do fascínio. Embora ele não explicite as premissas contidas nesta frase ela se faz entendível aos entendedores da linguagem codificada simbólica. O consciente é formado por um processo de construção (a um primeiro momento inconsciente) baseado na identificação das sensações como agradáveis ou não agradáveis, a constante exposição a percepções dos mais variados tipos, vai construindo um conjunto de particularidades possíveis de se perceber naquela sensação. A constante repetição das sensações vai modelando o consciente e formando a personalidade, como todas as percepções ficam gravadas no subconsciente indiretamente o individuo toma decisões e executa ações sobre a influencia delas. Quando comovido pela identificação o ser se fascina por um determinado objeto e toma para a si as projeções emitidas pelo objeto, que o influencia na medida em que toma espaço pela repetição no seu subconsciente (no consciente também) e influencia a tomada de suas decisões.
Para a mente que assiste a uma peça de teatro e se identifica ao ponto do fascínio com a representação ,imaginem a intensidade com que ela projeta a sua carga emocional (ou talvez intelectual também?) no espectador identificado.
O teatro é uma linguagem capaz de uivar fundo dentro da alma das pessoas é capaz de integrar toda a necessidade pelo magico, pelo não realizável, pelo proibido, como algo realizado na personalidade do individuo. E por isto desta forma calado, pois todo reflexo gerado na mente humana que não cria asas a realidade de alguma forma nem indiretamente que seja, nunca sessara de reivindicar a sua vez. Podendo levar a depressão e a ansiedade egocêntrica crônica tão característica a nossa sociedade.

Referencias bibliográficas:
Levi,Elphas.Dogma e ritual de alta magia. Editora Madras.
Jung,Carl Gustav. AION estudos sobre o simbolismo do si mesmo.Editora Vozes.
Camaysar, Rosabis.O Caibalion.  http://www.hermetics.org/pdf/KybalionBr.pdf

Stoner a musica que te coloca em estados alterados.

Esta musica se fez presente varias vezes durante a construção da dramaturgia de " A procura de um ser só".
Por isso creio que merece ser lembrada...



Jung a sombra e o Animus.




Sombra, em psicologia analítica, refere-se ao arquétipo que é o nosso ego mais sombrio. É, por assim dizer, a parte animalesca da personalidade humana. Para Carl Gustav Jung, esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou ao ser humano. A sombra contém todas aquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e até nós mesmos, não podemos aceitar.

Anima e Animus, na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, são aspectos inconscientes de um indivíduo, opostos à persona, ou aspecto consciente da Personalidade. O inconsciente do homem encontra expressão como uma personalidade interior feminina: a Anima; No inconsciente da mulher, esse aspecto é expresso como uma personalidade interna masculina: o Animus.

A procura de um ser só : o que é?

A procura de um ser só é um processo de construção de um ritual dramático, de caractere performático, que têm como objetivo causar sensações que façam os convidados refletirem sobre o conflito existencial crucial na vida do ser humano.
Temos Em cena duas personagens alegóricas representando os dois aspectos da condição humana. O principio de expansão e o principio da contração, respectivamente relacionados na psicologia de Carl Gustav Jung com o consciente e o inconsciente. A luta do Homem contra seus monstros,medos e preconceitos não aceitos. Como lidar com desejos e sentires imorais ou até amorais? É  sobre a atmosfera deste conflito(que a a sabedoria  revela como um movimento fundamental a vida) que a procura de um ser só toma formas..

Trazer ao real!

Começo hoje a importante missão de trazer ao real os ecos que inundam a minha alma.
A  Arte se encarregara de fazer os acordos e ajustes certos para que essa ilusão possa saciar a minha ânsia pelo mágico.O teatro, a poesia, o o rito, o cinema a performance...São as linguagens que a minha alma e meu corpo tomam como seus para poder expressar o meu sentir.
A oportunidade fez o momento certo, na cadeira de encenação do curso de teatro da UFPEL inicio um processo que culminara na montagem final de conclusão de curso, daqui a um ano.
Neste  percurso pretendo e vou precisar agregar o trabalho de varias pessoas para que ele possa ser concluído com sucesso, Atores,atrizes, profissionais da musica,iluminação,cinema,artes visuais...todos eles são bem vindos e muito importantes, portanto se gostou do que viu aqui não perca tempo entre contato comigo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Academia de Protagonistas

Muita coisa guardada
Pra ser depositada em confiança
Saudades que sinto...

Puta merda, santa falida consideração!!!!

Do tiro que ecoa
Competida iluninação
Amigos finissímos!
Egogerrimos Resolvidissimos!

Todos se espandocando!
Todos se desbolancando!

Com muita graça e prestigio
Pela estrela de grande brilho
Que transforma os sem graça em sensação
Que disfarça qualquer imperfeição

Os dentes metalicos e lambuzados de mel
Devoram a mesmise do homem normal
Que alimenta a engrenagem glamurosa
E ascende chama dos aplausos...
Que aquece o nosso vazio

Somos a casta encantada de protagonistas !
Emocionantes e emocionados ilusionistas!
Somos cegos com lentes de contato multicolorida

Soberanos de uma arte sem direção e sem saida
Somos livres pra esquecer essa chatice de se auto-conhecer

O nosso sexo é livre!
Livre pra transarmos como pedaços de carne esteticos

sábado, 3 de dezembro de 2011

Desculpando a realidade

Eu vi estrada
Tomada de ervas daninhas
Eu vi a escopeta fazendo
A mira no chapeu de palha
Eu vi o rotulo despencar
Da tua saia...

Eu me escondi
Dos comentarios
Eu tive raiva e rasguei
Muitos bilhetes falsos
Ignoro suas palavras
cheias de segunda intenção

Quando não é tão ruim
o silencio é o meu elogio

Cata a tua almofada
E senta no outro canto da sala
De cabeça baixa arrasta contigo
As tuas amarguras...

Tuas moedas não realizão
Desejos nem alivião a tensão
Carrega as tuas desgraças
Da forma que puder, e vomita em quem as quiser

Trasmorfa  fragilidade em oportunidade
Constroi a tua sorte em cima de mentiras justificaveis
Eu descobri a verdade absoluta em relação a liberdade

Você é livre
Pra fazer o que bem entender
Basta você ter a desculpa correta
Para se fazer valer...

A ocasião é que desfaz o ladrão
E constroi o sabichão...
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